quarta-feira, 13 de março de 2013

CÂIMBRA NA DANÇA DE SALÃO !!!





As câimbras (ou cãibras, forma alternativa também correta) são complicações frequentes nos praticantes de atividade física, inclusive entre os dançarinos de salão. Há muitas dúvidas e mitos acerca deste assunto. Vamos procurar desvendar alguns.

Nossos músculos são formados por milhares de fios finíssimos, chamados miofibrilas, que deslizam uns sobre os outros, gerando a contração muscular. Nos músculos chamados esqueléticos ou estriados, é o próprio indivíduo que controla esta ação, ou seja, o controle sobre o tecido muscular é voluntário. São estes os músculos que utilizamos para executar movimentos que decidimos realizar, como pegar um objeto, correr ou dançar; em contraposição a ações que não comandamos, como movimentar as paredes do estômago ou dos vasos sanguíneos, que são realizadas pelos músculos lisos, de controle involuntário. Também lembramos a importância de íons como o sódio, o potássio, o cálcio e o magnésio para o perfeito funcionamento da musculatura. Pois bem, as câimbras induzidas por exercícios são contrações espasmódicas, intensas, dolorosas e involuntárias de nossa musculatura estriada que ocorrem logo após um esforço físico.
 
Há uma idéia corrente nos meios de prática de atividade física, entre leigos e não leigos, de que as câimbras seriam ocasionadas por “falta de potássio”. A imagem do bem-sucedido tenista Gustavo Kuerten consumindo bananas durante treinos e competições, reforçou esta idéia de alguns anos para cá. Contudo, a observação nos fez questionar esta impressão. A grande maioria dos dançarinos que queixam-se de câimbras, apresentam o sintoma num grupo muscular que está sendo muito solicitado, e provavelmente não encontra-se apto para responder às exigências. Raramente algum deles está em situação de extrema sudorese, ou em outra situação clínica que favoreça a perda de potássio. E mais: para apresentar sintomas musculares por falta de potássio, em geral o indivíduo deve estar severamente enfermo, como um paciente em uma UTI, e já apresentando outros sintomas como arritmias cardíacas, insuficiência renal, alterações da pressão arterial e paralisia respiratória, entre outros de gravidade. Além disto, as câimbras induzidas por exercícios ocorrem apenas em grupos musculares envolvidos em contrações repetitivas, enquanto que anormalidades nos eletrólitos (potássio, sódio, etc) causam espasmos musculares generalizados, em todos os músculos do corpo. Portanto, é bastante improvável que a câimbra da sala de aula de dança, ou do final do baile seja devida a falta de potássio.

Historicamente, várias teorias foram propostas para explicar o mecanismo da câimbra induzida por exercício: a teoria de problemas inatos de metabolismo, a teoria da desidratação, a das anormalidades do balanço de eletrólitos (onde entra a questão do potássio) e a das condições ambientais extremas, como frio ou calor. Entretanto, em estudos recentes, não houve suporte a estas teorias, que foram levantadas a partir de relatos esporádicos e nunca demonstraram com clareza o mecanismo de ação da câimbra.


    
Atualmente, aparece com mais força a hipótese de que as câimbras induzidas por exercícios são secundárias à fadiga muscular.
Segundo esta teoria, a exigência acentuada da musculatura inibe a regulação da resposta das miofibrilas, que é realizada por uma pequena estrutura sensível à tração, localizada entre o tendão e o músculo (órgão tendinoso de Golgi). Em outras palavras, de tanto usar o músculo, ele “para de entender quando não deve mais se contrair”. E, é claro, este “uso excessivo” é um conceito individual, e proporcional ao preparo físico de cada atleta/dançarino.  Daí a importância de uma boa preparação física para dançar.

Outro fator que aumenta ainda mais a predisposição à câimbra é a contração do músculo a partir de seu menor comprimento. Por exemplo: quando a dama executa o movimento de “meia-ponta” e já está usando sapato de salto, os músculos da panturrilha (“barriga da perna”) já estarão permanentemente contraídos para manter o equilíbrio sobre o salto. O esforço adicional de projetar o peso à frente, na meia-ponta, poderá sobrecarregar esta musculatura e ocasionar a câimbra. Aliás, os músculos da panturrilha (que incluem os gastrocnêmios, ou “gêmeos”, e o sóleo) são os músculos que mais sofrem câimbras em bailarinos.




FONTE: DANÇA EM PAUTA
 

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